Os Livros da minha vida – Semana da leitura 2017

A BECRE recebeu os professores Paula Néo e Tierri Cachado que no âmbito da rúbrica Os Livros da Minha Vida, partilharam algumas das experiências de leitura que mais os sensibilizaram. Foi para a sua turma de inglês que no dia 29  a docente Paula Néo falou do livro The Circle de Dava Eggers onde através da história ligada a uma poderosa empresa de tecnologia, dirigida pelo chamado “Three Wise Men”, se colocam várias questões com que atualmente a nossa sociedade é confrontada, nomeadamente o direito à privacidade. No dia 30 foi a vez do professor Tierri Cachado  que prendeu todos quantos o escutavam com uma viagem ao seu mundo da leitura nomeadamente sobre um dos temas que mais o sensibiliza, a segunda grande guerra mundial.  Holocausto, S. E. Castan, O Anjo Branco de José Rodrigo dos Santos, O Equador de Miguel Sousa Tavares, A Tempestade perfeita, Sebastian Junger, Os Pilares da Terra e o Mundo sem Fim de Ken Follett, entre outros, foram as referência partilhadas pelo destino orador.

No final o professor bibliotecário António Padeira agradeceu a presença de todos e lançou o desafio para que a leitura esteja sempre presente nos diversos momentos das suas vidas contribuindo para a formação de cidadãos mais esclarecidos, tolerantes e solidários.

Album

AP

Anúncios

Encontros com História – Maria Leonida Teixeira

Álbum de Fotos

Realizou-se no espaço da BECRE mais um Encontro com Histórias que contou com a presença da Drª Mª Leonida Teixeira que a propósito do seu  livro O Último Degrau, falou do percurso de vida, da sua relação com os livros e a escrita, da sua paixão enquanto professora. Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, foi docente da Escola Secundária de S. João do Estoril ao longo de 25 anos. Publicou o seu primeiro livro em 1983 Reflexão Filosófica, pela Plátano Editora. Colabora com artigos de opinião em diferentes jornais e revistas. Os seus grandes amores são: ser Professora, ser transmontana, amar a poesia sem ser poeta e a escrita sem ser escritora. Os presentes acompanharam com muito interesse a sua intervenção tendo o tempo sido exíguo para a riqueza do diálogo estabelecido.

 

AP

Imagem

O Prazer de Ler – 11ª Semana da Leitura 2017

A 11ª edição da Semana da Leitura convida as escolas das redes pública e privada a celebrarem a leitura com iniciativas de leitura que traduzam ambientes plurais que motivem a participação das crianças e dos alunos em atividades de leitura livres, com as suas famílias, com outros jovens, com adultos das comunidades educativas e com a população em geral, ilustrando o conceito «O prazer de Ler».(PNL)

À semelhança de anos anteriores as bibliotecas escolares do nosso Agrupamento associam-se a esta iniciativa apelando à participação de todos nesta festa da leitura que decorrerá entre os dias 27 e 31 de março. As atividades decorrerão nas diversas escolas do agrupamento de acordo com o Programa que aqui pode ser consultado.

Domingos Amaral no Encontros com história

upload_-1

Fotos

upload_-1-2

ouvir

O autor de Assim Nasceu Portugal e de cerca de dez outros romances, marcou presença no anunciado Encontros com História, realizado no dia 15 de fevereiro. Domingos Amaral encantou nas duas sessões realizadas alunos e professores que enchiam o auditório Ana Ribeiro da Escola Secundária de S. João do Estoril, ouvindo com muita atenção o escritor falar do seu percurso de vida e da paixão que o liga aos personagens das suas histórias. No final alguns alunos presentearam a assembleia com a leitura de excertos do romance Enquanto Salazar dormia. Esta iniciativa surgiu do convite formulado ao escritor pela coordenadora da área disciplinar de português, professora Anabela Carvalho, em parceria com a biblioteca escolar que promoveu e organizou o encontro que contou com a presença de 200 alunos e 8 professores.

AP

Imagem

Encontros com história – Domingos Amaral

domingosamaral_foto

No próximo dia 15 de fevereiro o Encontro com história contará com a presença de Domingos Amaral. O autor de diversas obras como Assim nasceu Portugal e Enquanto Salazar dormiairá falar sobre a sua faceta de escritor aos alunos da nossa comunidade educativa. Tendo em conta o grande interesse demonstrado pelos professores da nossa escola, irão ser realizadas duas sessões no Auditório  da escola sede do Agrupamento (ESSJE) Ana Ribeiro de acordo com o seguinte horário: 10h40-11h30 e 11h40-12h30.

assim-nasceu-portugalenquanto-salazar-dormiaAlguns dos seus  livros encontram-se à venda na biblioteca da escola com um desconto de 20%.

Informações sobre este encontro poderão ser colocadas ao professor António Padeira.

CONCURSO INÊS DE CASTRO

 

concurso-ines-de-castro2A 9ª edição do Concurso Inês de Castro é uma iniciativa conjunta do Plano Nacional de Leitura e da Fundação Inês de Castro, com o patrocínio do Hotel Quinta das Lágrimas, da YDreams, da Fundação Bissaya Barreto e a colaboração do Diário de Coimbra.

Baseado nos «Percursos de Pedro e Inês», desde a sua primeira edição, o concurso visa promover o conhecimento dos contextos e lugares históricos, geográficos, sociais, políticos, económicos, literários e afetivos que se relacionam direta ou indiretamente com o romance de D. Pedro e de D. Inês.

Na 9ª edição – ano letivo 2016/2017 – os trabalhos a concurso podem ser elaborados com base em diferentes áreas criativas e deverão configurar uma representação no âmbito das ARTES PERFORMATIVAS (Filme, Dança, Música, Ópera, Teatro, Teatro Musical…).

Desafiam-se as Escolas a mostrarem as suas capacidades estéticas, talentos criativos e de originalidade, promovendo o aprofundamento da interdisciplinaridade e da partilha de saberes.

Consulte a calendarização e o regulamento.

Envio dos trabalhos para pnlconcursos@gmail.com

Um Conto de Natal – Miguel Torga

carrinchas

audio

 

 

“De sacola e bordão, o velho Garrinchas fazia os possíveis para se aproximar da terra. A necessidade levara-o longe demais. Pedir é um triste ofício, e pedir em Lourosa, pior. Ninguém dá nada. Tenha paciência, Deus o favoreça, hoje não pode ser – e beba um desgraçado água dos ribeiros e coma pedras! Por isso, que remédio senão alargar os horizontes, e estender a mão à caridade de gente desconhecida, que ao menos se envergonhasse de negar uma côdea a um homem a meio do padre-nosso. Sim, rezava quando batia a qualquer porta. Gostavam… Lá se tinha fé na oração, isso era outra conversa. As boas acções é que nos salvam. Não se entra no céu com ladainhas, tirassem daí o sentido. A coisa fia mais fino! Mas, enfim… Segue-se que só dando ao canelo por muito largo conseguia viver.

E ali vinha demais uma dessas romarias, bem escusadas se o mundo fosse de outra maneira. Muito embora trouxesse dez réis no bolso e o bornal cheio, o certo é que já lhe custava arrastar as pernas. Derreadinho! Podia, realmente, ter ficado em Loivos. Dormia, e no dia seguinte, de manhãzinha, punha-se a caminho. Mas quê! Metera-se-lhe na cabeça consoar à manjedoira nativa… E a verdade é que nem casa nem família o esperavam. Todo o calor possível seria o do forno do povo, permanentemente escancarado à pobreza.

Em todo o caso sempre era passar a noite santa debaixo de telhas conhecidas, na modorra de um borralho de estevas e giestas familiares, a respirar o perfume a pão fresco da última cozedura… Essa regalia ao menos dava-a Lourosa aos desamparados. Encher-lhes a barriga, não. Agora albergar o corpo e matar o sono naquele santuário colectivo da fome, podiam. O problema estava em chegar lá. O raio da serra nunca mais acabava, e sentia-se cansado. Setenta e cinco anos, parecendo que não, é um grande carrego. Ainda por cima atrasara-se na jornada em Feitais. Dera uma volta ao lugarejo, as bichas pegaram, a coisa começou a render, e esqueceu-se das horas. Quando foi a dar conta passava das quatro. E, como anoitecia cedo não havia outro remédio senão ir agora a mata-cavalos, a correr contra o tempo e contra a idade, com o coração a refilar. Aflito, batia-lhe na taipa do peito, a pedir misericórdia. Tivesse paciência. O remédio era andar para diante. E o pior de tudo é que começava a nevar! Pela amostra, parecia coisa ligeira. Mas vamos ao caso que pegasse a valer? Bem, um pobre já está acostumado a quantas tropelias a sorte quer. Ele então, se fosse a queixar-se! Cada desconsideração do destino! Valia-lhe o bom feitio. Viesse o que viesse, recebia tudo com a mesma cara. Aborrecer-se para quê?! Não lucrava nada! Chamavam-lhe filósofo… Areias, queriam dizer. Importava-se lá.

E caía, o algodão em rama! Caía, sim senhor! Bonito! Felizmente que a Senhora dos Prazeres ficava perto. Se a brincadeira continuasse, olha, dormia no cabido! O que é, sendo assim, adeus noite de Natal em Lourosa…

Apressou mais o passo, fez ouvidos de mercador à fadiga, e foi rompendo a chuva de pétalas. Rico panorama!
Com patorras de elefante e branco como um moleiro, ao cabo de meia hora de caminho chegou ao adro da ermida. À volta não se enxergava um palmo sequer de chão descoberto. Caiados, os penedos lembravam penitentes.
Não havia que ver: nem pensar noutro pouso. E dar graças!

Entrou no alpendre, encostou o pau à parede, arreou o alforge, sacudiu-se, e só então reparou que a porta da capela estava apenas encostada. Ou fora esquecimento, ou alguma alma pecadora forçara a fechadura.
Vá lá! Do mal o menos. Em caso de necessidade, podia entrar e abrigar-se dentro. Assunto a resolver na ocasião devida… Para já, a fogueira que ia fazer tinha de ser cá fora. O diabo era arranjar lenha.
Saiu, apanhou um braçado de urgueiras, voltou, e tentou acendê-las. Mas estavam verdes e húmidas, e o lume, depois de um clarão animador, apagou-se. Recomeçou três vezes, e três vezes o mesmo insucesso. Mau! Gastar os fósforos todos é que não.

Num começo de angústia, porque o ar da montanha tolhia e começava a escurecer, lembrou-se de ir à sacristia ver se encontrava um bocado de papel.
Descobriu, realmente, um jornal a forrar um gavetão, e já mais sossegado, e também agradecido ao céu por aquela ajuda, olhou o altar.
Quase invisível na penumbra, com o divino filho ao colo, a Mãe de Deus parecia sorrir-lhe. Boas festas! – desejou-lhe então, a sorrir também. Contente daquela palavra que lhe saíra da boca sem saber como, voltou-se e deu com o andor da procissão arrumado a um canto. E teve outra ideia. Era um abuso, evidentemente, mas paciência. Lá morrer de frio, isso vírgula! Ia escavacar o ar canho. Olarila! Na altura da romaria que arranjassem um novo.

Daí a pouco, envolvido pela negrura da noite, o coberto, não desfazendo, desafiava qualquer lareira afortunada. A madeira seca do palanquim ardia que regalava; só de cheirar o naco de presunto que recebera em Carvas crescia água na boca; que mais faltava?
Enxuto e quente, o Garrinchas dispôs-se então a cear. Tirou a navalha do bolso, cortou um pedaço de broa e uma fatia de febra e sentou-se. Mas antes da primeira bocada a alma deu-lhe um rebate e, por descargo de consciência, ergueu-se e chegou-se à entrada da capela. O clarão do lume batia em cheio na talha dourada e enchia depois a casa toda. É servida?
A Santa pareceu sorrir-lhe outra vez, e o menino também.
E o Garrinchas, diante daquele acolhimento cada vez mais cordial, não esteve com meias medidas: entrou, dirigiu-se ao altar, pegou na imagem e trouxe-a para junto da fogueira.
— Consoamos aqui os três – disse, com a pureza e a ironia de um patriarca.

— A Senhora faz de quem é; o pequeno a mesma coisa; e eu, embora indigno, faço de S. José.”

Miguel Torga, Novos contos da montanha, (121-126 p.). 14ª edição. Abril. Coimbra. 1988.