Vitorino Nemésio (1901-1978) a

vitorino_nemesio

Grandes Livros – Episódio 9 – Mau Tempo No Canal (Vitorino Nemésio)

Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva nasceu no dia 19 de Dezembro de 1901 na Praia da Vitória, nos Açores. Concluiu o liceu em Coimbra e ingressou na Faculdade de Direito, em 1922. No ano seguinte começou a colaborar na revista “Bizâncio” de Coimbra. Abandonou o curso de Direito em 1924 e matriculou-se na Faculdade de Letras, em Ciências Histórico-Geográficas e em 1925 optou definitivamente pelo curso de Filologia Românica e foi nesse ano que surgiu o jornal “Humanidade”, um quinzenário de Estudantes de Coimbra, tendo sido Vitorino Nemésio o seu redactor principal.

Foi poeta, romancista e professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo ensinado Literatura Italiana e Literatura Espanhola.

Em 1934, doutorou-se em Letras, com a tese sobre Herculano: “A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio”, que foi muito bem recebida no meio académico. A 12 de Dezembro de 1971, pronunciou a sua “Última Lição” na Faculdade de Letras de Lisboa (onde deu aulas durante quarenta anos) com o maior anfiteatro a abarrotar.

No ensino destacou-se entre os pares e junto dos alunos. A Ensinou em Lisboa e no Brasil. Mas também se destacou como escritor e publicita. Fundou, em 1916, a revista literária “Estrela d’Alva” e em 1921, foi redactor dos jornais “A Pátria”, “A Imprensa de Lisboa” e “Última Hora” e fundador da revista “Tríptico”.

1

Em 1926 fundou e dirigiu com Paulo Quintela, Cal Brandão e Sílvio Lima, o jornal “Gente Nova”, um jornal republicano académico e a partir de 1928 passou a colaborar na revista “Seara Nova”.

Em 1930 colaborou na revista “Presença”, com textos poéticos e transferiu-se para a Faculdade de Letras de Lisboa, começando a pesquisa sobre Herculano, que o ocupou até ao fim da vida. Em 1937 fundou e dirigiu a “Revista de Portugal”, em Coimbra e no mesmo ano, partiu para a Bélgica, onde lecionou na Universidade Livre de Bruxelas durante dois anos, regressando depois a Portugal, em 1939, para ser professor na faculdade de Letras.

“O Mau Tempo no Canal”, editada em 1944, foi a sua obra mais conhecida. No ano seguinte recebeu o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências.

 

Em 1965 foi doutorado honoris causa pela Universidade Paul Valery, de Montpellier, e no mesmo ano recebeu o Prémio Nacional de Literatura, pelo conjunto da sua obra, traduzida em várias línguas. Apaixonado pela palavra, um homem culto e um comunicador nato, Vitorino Nemésio assina um programa televisivo entre 1969 e 1975, “Se Bem Me Lembro“, um programa de conversas que o viria tornar muito popular.

Vitorino Nemésio faleceu em Lisboa, em 1978, e foi sepultado em Coimbra. Nesse ano, foi publicado o primeiro estudo em livro que lhe é consagrado: “Vitorino Nemésio, a Obra e o Homem”.

2

OBRA DE VITORINO NEMÉSIO:

 Poesia

O Bicho Harmonioso (1938)

Eu, Comovido a Oeste (1940)

Nem Toda a Noite a Vida (1953)

O Verbo e a Morte (1959)

Canto de Véspera (1966)

Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976)

Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga (2003) –póstumo

Poemas Brasileiros (1972)

 

Ficção

Paço do Milhafre (1924)

Varanda de Pilatos (1926)

Mau Tempo no Canal (1944), romance galardoado com o Prémio Ricardo Malheiros;

Quatro prisões debaixo de armas (1971)

 

3

Ensaio e Crítica

Sob os Signos de Agora (1932)

A Mocidade de Herculano (1934)

Relações Francesas do Romantismo Português (1936)

Ondas Médias (1945)

Conhecimento de Poesia (1958)

Crónica

O Segredo de Ouro Preto (1954)

Corsário das Ilhas (1956)

Jornal do Observador (1974).

 

Seleção da responsabilidade professora Adelaide Saraiva

ÓPAA BECRE EFEMERIDES 2017

 

 

 

 

Anúncios